Fortuna para gerar emprego

Manhã de quinta-feira. Em uma parada da Bento, fiz sinal para que um CEFER parasse. Assim que entrei no ônibus, notei uma agitação que envolvia uma conversa entre o cobrador e um passageiro. Todos os outros ocupantes do veículo estavam calados. Passei pela catraca, e procurei, enquanto tentava disfarçar a minha curiosidade, por um assento vazio próximo aos dois homens que debatiam um assunto um tanto controverso. O cobrador afirmava: “olha só o Eike Batista, deixou de ser o homem mais rico do Brasil e agora ‘tá’ desesperado tentando recuperar a fortuna”. O passageiro continuava: “por que ele não pega esse dinheiro todo e dá emprego paros ‘pobre’? Por que ele não ajuda essa gente que não tem casa?” Os outros passageiros continuavam calados, ouvindo — eu, principalmente.

Coincidência ou não, horas depois, assisti ao documentário “Invisíveis”, produzido pela equipe do Diário Gaúcho. O trabalho mostra o drama vivido por famílias que vivem em situação de extrema pobreza. Além de serem comoventes, os relatos trazem à tona a ampla desigualdade social que atinge o nosso país. 1% da população brasileira sobrevive em condições precárias de higiene, esgoto e alimentação. Uma peça feita a partir de lonas, em chão de terra batida, para essa parcela de pessoas, é uma residência. Não há água potável. O inverno é um tormento, sobretudo para as mães que precisam dar banhos nos filhos. Uma das últimas famílias a ter a história contada era formada por uma mãe solteira e nove filhos. O que me surpreendeu foi a resposta da mãe quando a repórter perguntou o que estava faltando para que ela pudesse transformar sua vida. A mulher que apresentava uma aparência lastimável pensou por dois segundos, suspirou e afirmou: um emprego!

Há uma distinção fortemente notável entre o rico e o pobre, e disso ninguém discorda. Entre as circunstâncias que dão continuidade à vasta diferença entre as classes está a escolaridade e a formação profissional. A sociedade acredita que o básico necessário para conseguir um emprego é uma instrução adequada, aquela que vem de casa. E a sociedade tem razão. Se fosse possível predizer algo sobre o futuro de um jovem que veio de uma família em uma delicada situação, como as mostradas no documentário, poucas seriam as pessoas que o veriam como um grande empreendedor em sua primeira tentativa profissional.

Talvez seja uma questão de sorte. É evidente o fato de que um cidadão nascido em uma família com grande influência no mercado de trabalho, possuindo um alto poder aquisitivo, terá uma oportunidade de emprego abundantemente maior em comparação a pessoa vinda de uma família que vive na linha da miséria. O empenho e a dedicação, transformam o homem. A humildade e o espírito humanista, também. Para milionários, que faturam de segundo em segundo, pagar um salário mínimo a mais por mês não é perda alguma. O emprego gerado por essa ação é apenas benefício para a qualidade de uma população e para o conforto, aliado ao bem estar e à felicidade, de mais uma família brasileira.

Eu desci antes de terminar aquela conversa de ônibus, mas o fim dela, não deve ter sido muito diferente do fim deste texto.

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