Por trás da realidade teatral gaúcha

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Para quem está no palco, uma paixão. Para uma parcela do público que assiste, apenas mais um programa de final de semana. O teatro é uma cultura onipresente em todo o Rio Grande do Sul, em especial, na Capital. O que diferencia a cultura gaúcha dos teatros de outros estados brasileiros é a forma como a população local investe na arte. “Se tu vai a um teatro no Rio de Janeiro, por exemplo, tem muita gente na plateia, principalmente jovens. E até mesmo teatros pequenos, que não têm atores conhecidos, estão sempre lotados! Eu acho que o teatro aqui no Rio Grande do Sul não é muito valorizado”, lamenta Laura Gabardo, jovem de 17 anos que estuda teatro desde os 12, no Teatro Nilton Filho, localizado no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.

O fato de o teatro ser pouco visto como uma forma de lazer que enriquece positivamente o público, preocupa principalmente atores e companhias que sobrevivem desse trabalho. Júlio Estevan, ator de 16 anos, que também atua no Teatro Nilton Filho, faz suas considerações: “acho que aqui em Porto Alegre o teatro não é uma coisa cotidiana, e ás vezes, não é nem mesmo no Brasil. Lá na Europa, por exemplo, o teatro é como o nosso cinema”. Júlio atua há sete anos, e acredita que a presença pouco significante do público gaúcho nos palcos é um dos motivos aparentes em relação à desvantagem financeira de quem vive da arte.

Além do pouco reconhecimento das pessoas, outra dificuldade encontrada no ramo da arte, tanto por atores iniciantes, quanto por atores mais experientes, é a questão do baixo salário. Porém, existem grandes companhias com mais reconhecimento no mercado que, por terem um constante apoio da mídia, já conseguiram alcançar fama e um bom padrão financeiro. Diferentemente, os teatros mais independentes e as pequenas companhias locais passam por dificuldades em diversos pontos. A divulgação de peças, por exemplo, é feita de uma maneira totalmente autônoma. Panfletos são criados pela própria equipe, e são os próprios alunos, professores e diretores, que fazem a distribuição. Para Laura, o Facebook também tem um papel importante na hora de fazer propaganda, mas o famoso “boca-a-boca”, ainda é a forma de divulgação que mais dá certo.

Em Porto Alegre, existe um relevante número de escolas e companhias teatrais que, além de qualificarem jovens, também buscam dar incentivo cultural para que os gaúchos frequentem os teatros com outro ponto de vista. Segundo Laura, “quando um ator famoso ou um ator global está em cartaz com alguma peça, todo mundo vai assistir. Mas vão para ver o ator, e não para assistir à peça”.

Desde os seis anos de idade em palco, Júlia Pilotti, 14 anos, atua junto com Júlio e Laura no Teatro Nilton Filho e, de acordo com ela, as pessoas se interessam pouco pelo vasto conhecimento que um espetáculo pode passar para o público. “Uma peça teatral tem toda uma história. Por que cai o pano? Por que acontece isso? Por que acontece aquilo? Tem tanta história por trás…”. Durante a preparação de uma equipe para um espetáculo, existe muita conversa, estudo e planejamento. Por mais que muitas vezes passe despercebido pelo público, um pequeno detalhe conta muito para os atores que estão em cena e para a história a ser contada. Sobre isso, Júlia conclui: “As pessoas, quando vão ao teatro, vão porque um amigo indicou, ou porque viram na TV, ou porque leram no jornal. Eu acho que seria legal se as pessoas procurassem mais informações sobre todo o trabalho que envolve uma apresentação”.

Júlia, Júlio e Laura são três jovens que nunca tiveram muita pretensão de entrarem para uma escola de teatro. Com histórias parecidas, contam que quando decidiram entrar (primeiramente, por curiosidade) quiseram ficar! Júlio afirma que teatro é para quem realmente gosta e para quem adora estar em cena. É normal os jovens terem o desejo e a curiosidade de conhecer esse mundo. Alguns, logo desistem por uma série de motivos, entre eles, a timidez. Laura acredita que o teatro ajuda a trabalhar a personalidade, e faz com que uma pessoa que antes era tímida, consiga superar isso facilmente. E sobre a sua paixão pela arte, ela não esconde a empolgação e o brilho no olhar ao afirma: “é muito bom subir no palco e ver as pessoas te aplaudirem… A sensação é maravilhosa!”.

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