Primeiro amor

“Não há nada mais triste na vida do que o último encontro. Talvez só mais triste o acontecimento de dois namorados romperem para sempre, mesmo que se amassem perdidamente, por incompreensões ou por, quase sempre, proibições taxativas dos pais. É muito triste a separação entre duas pessoas que se amam, dessa cicatriz jamais se livrarão em suas vidas.”

O trecho acima faz referência a uma coluna do jornalista Paulo Sant’Ana. Por mais que possa parecer um tanto alienígena encontrar um tema transbordando pieguices em um texto do gremista mais fanático do sistema solar, suas colunas românticas sempre apontam fatos verdadeiros. Nunca concordei tão plenamente com Sant’Ana, como fiz após ler aquele parágrafo no jornal Zero Hora em um domingo chuvoso qualquer. Os casais atuais amam, desamam e amam novamente, tão rapidamente e o mais deselegante, tão publicamente. É um vai e volta sem fim, sem pausa para respirar, para refletir se o relacionamento já está ou não desgastado para ficarem tentando e tentando. E tentando. Em muitas ocasiões, a melhor opção ainda é o fim, nem que seja por um tempo, apenas para colocar a vida em ordem. É claro que vai doer, aliás, um amor nunca deixa de existir da noite para o dia.

Porém, a dor mais massacrante em se tratando de términos de relacionamentos, ainda é aquela em que dois amantes, por uma obrigação contrária à vontade deles, colocam fim no romance. Uma circunstância dissemelhante da qual me refiro, é aquela em que “o que um não quer, dois não fazem”. Nesse caso, é necessário apenas aceitar a decisão do parceiro (ou ex, seja lá o que for). Mas quando ambos não querem o fim, e lutam contra tudo e contra todos para se amarem eternamente e incondicionalmente, e então, o mais improvável consegue separá-los, aí sim, o fim não chega apenas para a relação, mas chega também para o arbítrio de seguir em frente e amar outra pessoa. É uma vontade momentânea, porém, cruciante. Pouquíssimos são os casais que passam por situações congêneres a esta, e que conseguem levar a vida adiante sem tristezas e melancolias.

Por exemplo, um casal que tenha se obrigado a terminar a relação por consequência de uma distância de incontáveis quilômetros. Eles podem até terem feito imensuráveis juras de amor eterno, mas infelizmente, cada um teve de ir para um lado. Mesmo se tentassem, nada voltaria a ser como era antes. A única solução para estes amantes foi o fim. Tanto esse homem, assim como essa mulher, vão se casar com pessoas diferentes, terão filhos, formarão uma outra família e ambos serão felizes com seus novos amores. Mas acreditem, aquele romance antigo nunca será esquecido. E dou mais certeza a isso que estou dizendo se aquele romance tiver sido o primeiro de ambos.

O primeiro amor a gente nunca esquece.

Texto escrito em 15/12/2011.

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