Nem todo abraço é corporativo

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Uma crítica à apuração jornalística dos dias atuais é visível no documentário “O Abraço Corporativo”, produzido pelo jornalista Ricardo Kauffman. O documentário conta como a ação de um personagem fictício para implantar mais união nas empresas ganhou reconhecimento e confiança das pessoas em diversas partes do Brasil. Ary Itnem, personagem interpretado pelo ator Leonardo Camillo, é um analista de RH que acredita que um simples abraço entre colegas pode resultar em mais harmonia no ambiente de trabalho, colaborando, assim, na produção e motivação de cada funcionário. No documentário, Ary faz parte da Confraria Britânica do Abraço Corporativo, suposta companhia responsável por desenvolver a “teoria do abraço”.

A grande visibilidade proporcionada pela internet para o “abraço corporativo” através das redes sociais, principalmente, fez com que jornalistas acreditassem nas palavras de Ary Itnem, mesmo sem a checagem de uma segunda fonte a respeito do assunto e da origem do grupo que disseminou a ideia. A repercussão teve inicio por meio de um primeiro veículo de comunicação que reportou a proposta do falso executivo de RH sem uma apuração convincente. Portanto, não é justo afirmar que a responsabilidade pela falsa informação seja do primeiro veículo. O que falar dos comunicadores seguintes que, por preguiça, ou até mesmo pressa de divulgação, optaram apenas por repassar a notícia supostamente já apurada corretamente pelos colegas?

Não demorou muito para que as mídias sociais fizessem seu papel e expandissem a informação de maneira rápida e prática. Jornais reconhecidos, revistas renomadas e grandes repórteres foram alvo do “abraço corporativo”. Mas a partir de uma análise crítica do documentário é aceitável que uma dúvida fique no ar: são mesmo grandes veículos de comunicação? O erro está no jornalismo, assim como está em todas as áreas da comunicação e do mundo. Errar, bem como diz o clichê, é humano. A falta de profissionalismo está no erro repetitivo.

“O Abraço Corporativo” impõe, de fato, muitos pontos a serem discutidos em relação à ética jornalística no decorrer de todos os caminhos de uma reportagem, desde a produção, até a edição. Além disso, a produção documentou uma visão mais clara da situação posterior ao erro de um comunicador, desde as justificativas até a compreensão da falha. Outro ponto importante a ser ressaltado é o bom senso sobre “qual a importância de determinada divulgação” e “quem determinada matéria irá provocar”. A ênfase dada a um abraço entre colegas, ou a uma árvore sendo abraçada por um ser humano, gera uma reflexão sobre a credibilidade no jornalismo.

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