Personagens do Mercado

ImagemDesde 1869, o Mercado Público de Porto Alegre faz e conta histórias. Personagem não é só gente, é gente do Mercado, é gente que vive fora dele também. Gente que trabalha, que compra, que fica lá à toa, ou que simplesmente passa por lá. Não importa quem, toda essa gente tem história. Seja bem-vindo!

 

 

Imagem

Barbearia Central. Ou melhor, a barbearia do Seu Carlos. Carlos Geneci de Oliveira, há 35 anos, trabalha em uma sala minúscula, no segundo andar do Mercado Público, meio escondida. Praticamente um buraco próximo das escadas. No dia e no horário da foto, Seu Carlos estava em uma consulta médica. Na imagem, o seu filho, Carlos Mirion, o substitui. Mas Carlos Filho só substitui o Seu Carlos quando o motivo é saúde. Há 35 anos, o ponto é dele, do Seu Carlos.

 

 

Imagem

O cara mais colorado do Mercado. Foi assim que o próprio se designou. Não fui eu que encontrei Cleto Leonardo, de 57 anos. Foi ele quem me encontrou. E explicou, e divertiu, e contou. Foi fotografado em frente à Peixaria Japesca. Melhor peixaria do Mercado Público, segundo ele. “O dono da peixaria é gremista doente, tanto que eles só admitem gremistas. Se o cara fala que é colorado, ele rasga a ficha na hora”. Ele gargalhou, e pediu para que eu guardasse o segredo.

Enquanto a conversa fluía, um vendedor de DVDs piratas nos interrompeu. Cleto comprou um DVD de hip hop e pediu se eu gostava do ritmo. Respondi que não. E ele concluiu:

– Sabe que eu também não gosto? Mas as letras têm moral. E eu me interesso por tudo que tem moral.

 

 

Imagem

Cristiano Paz trabalha há 12 anos no Mercado Público.

– Eu sou orientador de público, sou o encarregado de cuidar das catracas, e também sou cuidador do banheiro masculino. Não posso deixar faltar papel higiênico, papel toalha e sabonete Dove e Natura.

Com uma simpatia invejável, Cristiano recolhe os 50 centavos de cada homem que entra no banheiro do segundo piso com “Oi, tudo bem? Muito obrigado e tenha um bom dia!”. Alegre e tagarelo, tem sempre alguma coisa inteligente para falar a respeito de qualquer assunto.

– Durante a Copa eu vou estar em Berlim, quero assistir tudo de lá. Eu li no Twitter que vai ter uma revolução no Dia dos Namorados. Isso que teve até agora foi pouco. Vai ser uma revolução geral, e eu quero estar bem longe.

A humildade daquele homem com traços de menino me encantou, e não permiti que a nossa conversa terminasse ali. Ele me contou que viaja muito, que adora o Mercado Público e que acha muito bacana as pessoas darem oportunidade aos deficientes físicos e mentais em um ambiente de trabalho.

– E cuidado com a Copa, moça, vai ter uma revolução grande.

Me despedi com um aperto de mão sincero e disse que voltaria pra ele me contar como foi a viagem, se eu ainda o encontrar no mesmo lugar depois do mundial.

Vai que ele goste da Alemanha…

 

Imagem

Fui apresentada a esses dois bonecos, sentados na entrada da banca um, por Marcelo De Paoli. Com o decorrer da conversa, descobri que não são só dois simples bonecos, são dois orixás que representam as crianças, a doçura, a alegria, a felicidade que há no povo do batuque.

 

Imagem

Esse aí é o Everson Felipe Marques, tem 31 anos e há três é açougueiro da banca 47. Trabalha das cinco às cinco e, quando perguntei a ele qual a primeira palavra que passa pela mente quando ele pensa no Mercado Público de Porto Alegre, a resposta foi óbvia: trabalho.

Imagem

Olímpio da Cunha também é açougueiro, mas da Casa de Carnes Santo Ângelo, localizada nas bancas oito e nove. A casa de carnes onde Olímpio trabalha há dois anos foi fundada em 1963 e aceita dinheiro e cartões como forma de pagamento. E também tem tele-entrega. Só não tem um sorriso pra foto do funcionário mais gentil.

 

Imagem

– Qual o nome do senhor?
– Fernando Gregis Monteiro.
– Qual a sua idade?
– 39, mas com carinha de 18.

Todos que estavam na banca riram.

Fernando trabalha no Ponto do Chimarrão desde 2009. Gosta do trabalho, mas não gosta do Mercado. Ele acha o prédio sujo, mas acredita que só é necessário um pouco de vontade para fazer uma reforma, mantendo a beleza do prédio antigo.

 

Imagem

Na banca 37 encontrei Denner Almeida Ferreira, com 22 anos de vida e dois anos e meio de Mercado Público. Antes da Flora Hananoka, loja religiosa, Denner trabalhou por um ano e meio em uma padaria, pertinho dali. Ele me contou que todos no Mercado são amigos uns dos outros, todos se respeitam. A única coisa que falta, na opinião dele, é organização.

“Fora isso tá tudo bom”.

 

Imagem

Joseleide Bispo dos Santos, a Jose, garantiu que fazer tapioca é fácil. Ela até me ensinou.

– É só aquecer uma frigideira, colocar a farinha pra tapioca, esperar ficar pronta e colocar o recheio que tu preferir.
– E como eu faço essa farinha aí?
– Tu compra ela pronta, mas tem que comprar essa aqui ó, e só tem aqui na banca.

Anúncios

2 comentários sobre “Personagens do Mercado

  1. I don’t even know how I ended up here, but I thought this post was great.
    I do not know who you are but certainly you’re going to a
    famous blogger if you aren’t already ;) Cheers!

    Curtir

  2. Pingback: Para a Kinder, por amor | Mariana Fritsch

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s