As crianças estão prontas para não colocar mais livros na estante?

Crianças com faixa etária média de três anos foram protagonistas de um vídeo que caiu no Youtube e nas críticas dos internautas — sobretudo, de adultos, pais e futuras mamães. Nele, os pequenos tentavam passar o dedo sobre a capa de livros e revistas, com a esperança de que o conteúdo de cada impresso fosse “deslizar” para o lado, como seria possível com uma tela de tablet, iPhone, e por aí vai. As opiniões se dividiram a respeito da educação que aqueles pequenos seres recebem em casa. Poucos foram realistas a ponto de relacionar as cenas contidas no vídeo com o mundo em geral. Não apenas com uma influência do ambiente familiar.

A notícia, por exemplo, ainda é lida em jornais impressos e em revistas. Mas antes de o leitor abrir a porta de casa para pegar o jornal enroladinho dentro de um plástico ele encontra o que quer no online, no minuto seguinte ao ocorrido. Ninguém mais espera a banca abrir para comprar a informação. Ninguém mais espera o cachorro vir correndo com o jornal entre os dentes para entregar para o dono. O café da manhã ainda tem páginas e mais páginas de papel, mas isso somente é um complemento da notícia divulgada em poucas linhas, resumidamente, no dia anterior.

Um incêndio em determinado local ganha grande proporção nas redes sociais antes mesmo da mídia fazer a divulgação. Tudo com um flash e um clique. Ou melhor dizendo, um toque. Nesse atual século de convergência, não são somente jornalistas que fazem jornalismo. O povo passa informação, relata, conta e opina. Em algumas circunstâncias, até entrevista e dá furo de reportagem. É justificável afirmar que o jornalismo não vive só de ruas e telefonemas. Hoje ele também vive de hashtags e de Whatsapp. No entanto, ainda há simpáticos vovôs que ligam para algumas emissoras de rádio para elogiar a trilha sonora.

O que me assusta é pensar em como será o futuro dos bebês que estão a caminho. Não os imagino colecionando livrinhos infantis da Disney, nem implorando para que os pais assinem as revistas “Princesas” ou “Recreio”. Quando ficarem adultos, vão ir até a livraria e pedir pela Galileu? As crianças do mundo tecnológico já nascem com a obrigação de sorrir para a câmera do smartphone do pai ainda estando no colo da mãe, na sala de parto. Curtidas se multiplicam e a criaturinha vira celebridade no Facebook, para o delírio das tias que não desistem dos compartilhamentos. A culpa não é dos pais, é do mundo. Eles até vão tentar colocar uma caneta na mão dos filhos. Aquela, sabe, para fazer desenho no iPad.

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