Contar histórias

Uma das coisas que mais me encanta no jornalismo é contar histórias. Contar histórias de gente. Ser uma contadora de histórias é transformar o simples no sofisticado. O que antes era invisível, a gente deixa ser o que quiser, desde que seja nas palavras.

Contador de histórias deveria ser profissão. Contador de histórias de gente. Já existe até curso para o dom. Escritor, cronista, poeta, compositor, jornalista, colunista. Eles contam histórias. Médico, advogado, professor, músico, publicitário. Todos eles contam histórias. Todos eles também contam histórias de gente. Mas que lindo seria, se existisse uma profissão que se dedicasse ao humano, ao envolver. Alguém que tivesse a vocação de prender olhos esbugalhados nos relatos do seu João, aquele, o dono da padaria da esquina, que decidiu fechar as portas de seu negócio e que, hoje, se dedica em colocar um sorriso no rosto de crianças com câncer. Que grandioso seria.

– O que você faz?

– Sou contador de histórias. De gente.

Eliane Brum é uma das mais talentosas contadoras de histórias que eu já tive a honra de conhecer. Que baita profissional! Uma das genialidades da jornalista recebe o título “Adail quer voar”crônica que pertence ao livro “A vida que ninguém vê”.

Adail viu o mundo e o mundo nem sempre viu Adail. Mudou o mundo e mudou Adail. Mas nem o mundo nem Adail mudaram o suficiente para encolher a distância entre o carregador e o avião. Porque, aos 62 anos, Adail segue sendo o que o doutor grita lá da porta do desembarque: “ô, negão”. E o mundo segue sendo do doutor. Mas Adail, ah Adail, Adail não desistiu de voar.

Enrolei e sugeri uma profissão. Citei o trecho de uma obra de Eliane Brum e quis atiçar a curiosidade sobre a história de Adail. Quem ainda não conhece Adail, só vai conhecê-lo e saber se ele voou lendo.

E tudo isso foi para agradecer.

É sempre muito gratificante escrever sobre pessoas e mostrar que o mundo é logo ali. Mas o mais enriquecedor de tudo, ainda é ver o brilho no olho do personagem principal de cada aventura, enquanto suas conquistas são relatas com orgulho e entusiasmo. Lembro do seu Ubiratan. Já falei muito sobre o seu Ubiratan. E continuaria falando. Tem também o meu avô. Que maravilhoso foi contar a história dele e de minha avó. Um dos comentários que ouvi de um primo: eu nunca saberia dessa história se não fosse por ti, Má! Recentemente, conversei por e-mail com a jornalista Ivanete. Ela está na luta contra o câncer de mama e compartilha os seus momentos de superação em um blog, onde responde dúvidas, conversa com leitoras e inspira.

Hoje, muitos foram os comentários positivos e os e-mails de pessoas queridas que muito elogiaram o texto 1,4 mil reais no bolso e uma mochila nas costas. Eu não poderia terminar o meu dia sem antes agradecer.

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