Just like a tattoo

Ele sempre disse que eu deveria escrever. Então eu decidi escrever sobre ele. Eu esperei o dia 25 de novembro de 2014 para escrever sobre o meu melhor amigo. Escrever sobre o Darlan é difícil. Fácil seria se eu o tivesse conhecido no último final semana, em uma roda de amigos qualquer. Ele manteria a seriedade até começar a me contar sobre os seus planos de conhecer o mundo e me chamaria de Marilda assim que eu concordasse com todas as suas loucuras.

Quero dizer, sonhos.

Ele citaria Freud, eu mencionaria Noblat, e no momento em que a psicologia e o jornalismo encontrassem um ponto em comum na conversa (e sempre encontram), iriamos nos considerar grandes amigos unidos pelo acaso, grandes amigos não unidos antes por erro do destino. Pronto! Detalharia um pouco mais e finalizaria o texto.

Mas são mais de dez anos de história para resumir.

Mesmo se ignorasse os momentos menos relevantes e enumerasse rigorosamente apenas aqueles que valeram mais a pena que outros — porque de fato, todos os episódios valeram a pena — eu escreveria um livro. São dez anos de segredos e confissões sigilosas que nunca (nunca!) ousaram fugir de nosso refúgio seguro e acolhedor. Dez anos de brigas, orgulho e “tá, desculpa, Marilda te ama”. Nessa década, eu e Darlan dançamos tango, aprendemos que confiança é como cristal, fizemos cover da banda Tonico e Tinoco, começamos a frequentar baladas juntos, choramos, gargalhamos, corremos, brincamos, crescemos, tudo isso e mais um pouco. Juntos. Nos tornamos irmãos e eu ainda aprendi a dirigir.

Que babaca eu fui por esperar tanto tempo para escrever sobre a pessoa que um dia disse: tu é tudo pra mim!

Darlan é um conquistador nato. Conquistou amizades e conquistou o mais difícil em cada uma delas: a confiança. Conquistar a confiança, a grandeza e os bons valores em uma amizade é tarefa para grandes homens. E tão poucos são os grandes homens hoje em dia… Darlan, além de ser grande, ainda é um homem com um coração primoroso. E falo isso porque acredito que, para conquistar a vida, é necessário trabalhar muito e ser legal com quem quer que seja. Darlan conquista a vida a cada alarme de despertador e noites viradas em cima de livros e planilhas e ainda tem tempo para ouvir.

Ele ouve como quem estuda e nunca vai embora sem antes conquistar de volta o sorriso do falante.

Darlan conquistou também a minha raiva com essa história de ouvir demais. Passamos semanas e, às vezes, meses sem nos ver, e, quando nos encontramos, ele só quer me ouvir. Eu pergunto a ele como estão as coisas, a tia Aladia, a carreira. Ele responde monossilabicamente e já engata um “mas Marilda, me conta sobre aquele livro que tu leu”. Talvez Darlan conquistou a nossa irmandade assim, por saber desde 2004 que eu gosto de falar.

Com toda sua generosidade, um dia ele irá conquistar o mundo. Perde um bom amigo quem não conhece o Darlan.

Freud explica. “Sou, por temperamento, nada mais que um conquistador — um aventureiro, em outras palavras — com toda a curiosidade, ousadia e tenacidade características desse tipo de homem”.

Tão parecidos são eles, Freud e Darlan.

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