Relatos Selvagens: o filme do ano

Há duas semanas, voltei a ter tempo para perder em uma sala de cinema com um pote de pipoca de doce de leite em mãos. Retiro o que disse. Se fosse uma perda de tempo assistir a filmes, essa seria a perda de tempo mais legal já inventada. Conhecer obras cinematográficas é enriquecedor pessoal e culturalmente. Mais pessoalmente. Se me apaixonar pela história — algumas vezes me apaixono pelos personagens — que ótimo foi! Se não apreciar, detestar, sair da sala de cinema tendo de controlar o impulso de pedir o dinheiro de volta, que ótimo foi também!

Ao conhecer um filme fraco aprendemos a não assisti-lo novamente. Se as amigas convidarem para ir ao cinema, evitamos que tal filme entre na lista dos “filmes para votação”. Se alguém perguntar uma opinião sobre o filme considerado por nós o pior do ano, vamos tentar convencer a pessoa a passar longe da sala onde o a obra estiver passando.

E se alguém me perguntar uma dica de cinema eu vou ordenar que assista “Relatos selvagens”. Vou implorar para a pessoa assistir “Relatos selvagens”. Vou convencê-la de que o dia de amanhã não será o mesmo se, hoje, ela não assistir “Relatos selvagens”. E ainda vou pedir para me levar junto em todas as vezes que for assistir ao filme.

Porque ninguém quer assisti-lo só uma vez.

relatos-salvajes

Nos últimos dias ando me surpreendendo com o cinema dramático. Fui à pré-estreia de Boa Sorte e saí de lá admirando ainda mais Deborah Secco. Que baita atriz! O filme, dirigido por Carolina Jabor, traz um romance que surge dentro de uma clínica psiquiátrica. Um jovem se apaixona por Judite, paciente HIV positivo que está com os dias contados. A história é de um drama envolvente, com uma sensibilidade e um romance que nos estimulam a repensar certos parâmetros impostos em relacionamentos. O filme é maravilhoso. Recomendo que assistam.

Mas recomendo mais que assistam ao filme “Relatos selvagens”. Por favor.

Nunca pensei que fosse me encantar tanto por um filme argentino do tipo tragicômico. Dirigido por Damián Szifron e com o genial Ricardo Darín no elenco, “Relatos selvagens” é uma comédia com drama e suspense, cheia de reflexões sobre injustiça, vingança e personalidades que aderem ao ditado “olho por olho, dente por dente”. Criativa e inteligente, a obra apresenta um humor sofisticado e ousado. São seis histórias independentes. Todas são trabalhadas de forma divertida. É um daqueles filmes que nos prendem do início ao fim, e nos estimula a tentar adivinhar o fim de cada história a partir de nossos próprios pontos de vista de realidade.

“Qualquer um pode perder o controle”.

 

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