Abraços para Marcos: a história que está mobilizando milhares de pessoas no norte do Estado

24 de dezembro de 2014.
Ibirubá, Rio Grande do Sul

Na sala da casa onde Marcos mora com a esposa e a filha de três anos, havia uma bela árvore de Natal decorada com arranjos coloridos e com um presépio ao lado. Quadros com retratos da família na parede e, à esquerda da porta de entrada, uma estante onde o computador está apoiado. Abaixo, no chão, um mouse conduzido com o pé.

“Às vezes é uma coisa tão simples que a pessoa não dá valor. Mas, para mim, é uma dificuldade. Aos poucos tu vai aprendendo… Eu consigo até abrir uma torneira caso não tenha uma pessoa comigo”.

O 12 de junho de 2002 tinha tudo para ser mais um dia rotineiro para Marcos Reinheimer, hoje com 44 anos. Ele colhia milho em uma granja no município de Jóia, noroeste do Estado, quando, por volta de 17h, um pé em falso mudou o destino daquele dia de trabalho. Ao descer da carreta graneleira, após conferir quanto de milho havia lá dentro, Marcos errou o último degrau da escada e se desequilibrou. Ele conta que, a partir daquele momento, não lembra de mais nada.

“Se eu tivesse caído para o lado esquerdo, eu teria levantado e caminhado. Mas caí para o lado direito, direto em cima do eixo cardan”.

Era um dia de inverno e, por estar bem agasalhado, suas roupas enroscaram e permaneceram presas até serem rasgadas. Um conhecido que estava junto com Marcos no momento do acidente contou que o corpo do funcionário deu duas voltas preso ao eixo cardan até ser jogado longe, nu e sem os dois braços. Marcos foi encaminhado para o Hospital São Vicente de Paulo, no município de Passo Fundo, onde uma equipe médica já o esperava na sala de cirurgia. A tentativa de implantar os dois braços não teve sucesso.

“Quando acordei, eu comecei a pensar: não foi doença ou infecção, foi um acidente, e eu vou ter que batalhar para sair dessa. O apoio da família e dos amigos foi muito importante”.

Marcos Reinheimer perdeu os dois braços, fraturou a perna direita e o nariz, e teve o nervo ciático rompido na perda esquerda. Ele permaneceu no hospital por 28 dias e apenas voltou a caminhar depois de seis meses. A grande dificuldade para Marcos, no início, foi conseguir caminhar. Além de aprender a se equilibrar, ele precisou de uma pessoa para acompanhá-lo em tempo integral, de quem dependeria para realizar a maioria das atividades do dia a dia.

“A minha mulher é o meu braço direito e o meu braço esquerdo”.

Em 23 de junho de 2014, exatamente 12 anos após o acidente, foi lançada a campanha “Abraços para Marcos”. Iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a ação tem como objetivo arrecadar 650 mil reais, valor necessário para a compra de um par de próteses de mão biônica. Não demorou para que a comunidade de Ibirubá e toda a região se comovessem com a história.

“Desde o acidente, nunca fiquei depressivo. Sempre soube que iria melhorar e, para isso, teria de correr atrás”.

A força de vontade que motivou Marcos a não desistir também mobilizou a sociedade a ajudar com doações e a divulgar a campanha. Através de panfletos, vídeos e uma página no Facebook, a campanha conseguiu também contribuições de outros estados do Brasil, além de presentes para serem sorteados em uma rifa, como camisetas autografadas por jogadores do Grêmio e do Internacional.

Até a véspera do Natal, o valor arrecadado era de aproximadamente 150 mil reais.

Antes de me despedir, encerrei aquela uma hora de conversa com uma pergunta que teve como resposta palavras traduzidas no “muito obrigado!” mais sincero que a mulher de Marcos poderia ouvir.

— Qual a primeira coisa que tu pensa em fazer assim que conseguir as próteses?

— Dar um abraço na minha esposa.

Caixa Econômica Federal – Conta exclusiva para doações da campanha.
Agência 0482
Operação 006
Conta 179-2
CGC 13.531.380/0001 – 32

 

 

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