Afinal, qual é o sexo frágil?

No dicionário da língua portuguesa Michaelis, o significado da palavra frágil é 1) Fácil de quebrar e 2) Fraco. Em uma busca rápida por glossários online é possível verificar outras definições para o adjetivo, embora todos os conceitos sigam a mesma linha de explicação: que não tem resistência. Há ainda, uma página que esclarece de forma mais detalhada o que seria algo ou alguém frágil. “Rompe-se facilmente, tanto emocional como substancialmente”, dizia.

Fácil seria se bastasse dar um Google no significado literal do adjetivo, historicamente associado à mulher, para tentar entender a origem da expressão “sexo frágil”. As duas palavras, que juntas, costumam entrar na pauta de grupos com as mais diferentes ideologias, já foram título de seriado brasileiro e também já foram transformadas em melodia na voz de Erasmo Carlos. O cantor passou a colocar em discussão o porquê de o sexo feminino estar associado à falta de resistência — até emocionalmente. “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda”, argumentava Erasmo, que não parava por aí. “Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas”, acrescenta, finalizando a primeira estrofe de quatro versos de Mulher (Sexo Frágil).

Se na década de 1980 a música brasileira já abordava o termo como um equívoco, não é surpreendente que, com a evolução dos direitos femininos de agir, ser e ter — o que quiser, quando e onde quiser —, a expressão seja chamada de “coisa machista” com pouca contestação. Aliás, nada há para ser contrariado quando a vulnerabilidade ainda insiste em caracterizar, de acordo com a sociedade, a espécie que vive por mais anos. A ciência explica: qualquer fator de risco mata, proporcionalmente, mais homens do que mulheres — uma das poucas exceções é o câncer de mama. Em casos como consumo de álcool, tabagismo, direção perigosa, tráfico e assassinato, para citar apenas alguns exemplos, o predomínio é deles.

Sangrar quatro dias — umas, até sete — por mês, carregar outro ser humano por nove meses, gritar de dor e suportar a angústia de um parto quantas vezes forem necessárias, ser esposa, mãe, faxineira, cozinheira, conselheira e ainda aguentar mais de dez horas por dia em cima de 15 cm, atuando em um importante cargo em uma empresa de renome.

Talvez as peculiaridades pouco consideradas pelo “sexo infrangível” são o que torna a mulher mais resistente do que a história considerou.

Que a explicação para definir a espécie feminina como frágil tenha surgido quando se descobriu que a capacidade física delas é, por natureza, inferior à dos homens. Que seja isso, e que não passe disso.

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