Primeira meia maratona

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O termômetro registrava 4°C às 7h do último domingo, quando foi dada a largada para a meia maratona e para a maratona masculina de Porto Alegre — as centenas de mulheres que enfrentariam os 42 quilômetros haviam começado a correr 15 minutos antes. Atrás do pórtico, milhares de corredores davam pequenos pulos na tentativa de aquecer o corpo até que a sirene desse o sinal de “corra”. Meus pés congelados não saiam do lugar. “Pelo menos vai ter sol”, pensei, quando observei o leve crepúsculo mandando a noite embora.

A roupa térmica parecia ser tudo menos térmica, e, mesmo com meias de dupla camada, tinha a impressão de estar com os pés descalços. As luvas também não impediam que as mãos tremessem. No meu ouvido, a voz de Projota começava a cantar Foco, Força e Fé (tudo a ver!) quando larguei, devagar, controlando a empolgação que insistia em seguir o ritmo dos maratonistas que passavam por mim com a velocidade de um vulto. Era lindo! Em meio à distração de ver todas aquelas pessoas correndo, só me dei conta de que meus pés já estavam aquecidos e confortáveis quando passei pela placa que sinalizava o primeiro quilômetro de prova. “Ok, só mais 20”.

Drauzio Varella correu sua primeira maratona aos 50 anos. Foi em Nova York. Como ele conta no livro Correr, da Companhia das Letras, a prova foi difícil e extremamente desafiadora, mas não ao ponto de impedi-lo de passar a linha de chegada após 4h01. “A corrida é um antidepressivo poderoso”, afirma Drauzio.

Pensei em tudo isso quando me inscrevi para a minha primeira meia maratona. “Se Drauzio sobreviveu aos 42 quilômetros, por que eu não conseguiria completar metade do percurso, com menos da metade da idade dele?”. Mas o maior estímulo foi ter completado 18,6 quilômetros em um domingo em que planejava não passar dos 10. Um mês depois, mais 17 quilômetros que nem em dores resultaram — até sobrou energia para a balada.

Não escolheria outra prova a não ser a Maratona Internacional de Porto Alegre para estrear nos 21 quilômetros. Seria uma traição com a cidade que me acolheu há mais de quatro anos. Eu estaria “em casa”, e, além disso, conheço o percurso de cor e salteado — ainda não encontrei lugar melhor que a Orla do Guaíba. Mas a maior parte dos corredores que vieram de fora do Estado escolheu a nossa capital pelo trajeto plano e pela temperatura amena. Acredite, nós amamos correr no frio!

É um evento maravilhoso! Pode-se dizer que a sensação estar junto daquele pelotão é uma mistura de desafio, superação e festa. Diferente do que pensei que fosse acontecer, não sofri para fazer a prova — talvez tenha sido a disciplina com os treinos, ou o sábado atirada no sofá comendo muito chocolate e lendo Vidas Corridas (que inspiração!), ou, até mesmo, as duas taças de vinho que acompanharam dois pratos de macarrão no jantar. O mais difícil foi explicar àqueles que me chamaram de louca que eu não era apenas uma louca em meio a outros 7,5 mil loucos. Só os loucos me entendem…

Katy Perry cantava “you’re gonna hear me roar…” quando cruzei a linha de chagada em 2h05min37 com fôlego para mais 21 quilômetros. Quem sabe no próximo ano…

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