O que aprendi com a minha segunda meia maratona

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Quando me inscrevi para correr a Meia de Sampa, tinha em mente a volta das aulas, as oito horas de trabalho diárias, o reforço de inglês, as tarefas domésticas, e, consequentemente, a falta de tempo para os treinos. Comprei as passagens, reservei o hotel e passei a mentalizar o meu objetivo para o dia 9 de outubro de 2016: queria completar 21 quilômetros em menos de duas horas — só baixar o tempo da primeira meia maratona, que foi de duas horas, cinco minutos e 37 segundos, não seria suficiente.

Então, aprendi que gritar ambição muito alto é como comemorar antes da hora.

Teria dois meses para me dedicar ao máximo aos treinos, conciliando os dramas citados nas primeiras linhas deste texto. Passou agosto, mês no qual tudo de ruim costuma dar as caras (como dizem), chegou setembro e, quando desenvolvi o pensamento de “se em agosto nada aconteceu, nada mais acontece”, fui desestabilizada. Durante quase todo mês de setembro, lutei contra uma série de infortúnios e problemas de saúde que me atormentaram a ponto de eu cogitar desistir. Fiquei semanas parada.

Seria massacrante visitar São Paulo para parar a prova — considerada uma das mais rápidas da cidade devido ao percurso plano e ao clima ameno — no quilômetro cinco ou 10. Se fosse para chorar, que fosse de dor, depois dos 21. E foi bem isso que aprendi ao cruzar a linha de chegada, no Jockey Club de São Paulo, depois de duas horas, sete minutos e 27 segundos correndo.

Aprendi a sentir dor.

Há quem sinta prazer em chegar ao final de uma prova de corrida em seu pior estado físico e emocional apenas porque “foi sofrido, mas completei”. Eu não faço parte desse grupo. Embora tenha aprendido que o tempo é o que define um corredor, não foi ter feito a prova com minutos a mais do que eu tinha colocado como meta que me deixou mal. Fiquei triste por não ter feito bonito — sofri muito, quase desmaiei, senti dores desde a ponta do fio de cabelo até a unha do dedo do pé e vi tudo ficar preto meio quilômetro antes do fim. Ainda sim, todas as promessas de nunca mais correr longas distâncias, que eu gritava para o meu eu interior no quilômetro 18, foram desfeitas quando a medalha foi colocada no meu pescoço.

É errando que se aprende.

O nosso corpo tem, sim, uma memória surpreendente. Mas não existe milagre sem treinos, alimentação saudável e noites bem dormidas. Aprendi a pensar duas vezes antes de me aventurar em uma meia maratona da forma que me aventurei, desidratada, fraca e sem preparo físico suficiente.

Mas, acima de tudo, aprendi a não desistir.

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3 comentários sobre “O que aprendi com a minha segunda meia maratona

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